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ENTREVISTA | Carlos Egert analisa: O Rio Grande do Sul e os Vultos Esquecidos do Império Brasileiro

O Barões da Restauração, através do seu líder João Victor C. Dos Santos, entrevistou o historiador, internacionalista e jurista Carlos Egert, que oferece uma leitura singular sobre a relevância do Rio Grande do Sul na construção política do Brasil Império. Em sua análise, emergem nomes de grande envergadura, mas que a memória coletiva relegou a notas de rodapé, apesar de terem desempenhado papéis decisivos na consolidação do Estado imperial.



Carlos Egert, jurista e fundador do Diretório Monárquico do Brasil
Carlos Egert, jurista e fundador do Diretório Monárquico do Brasil

Pergunta 1:

João VictorQual foi o papel do Rio Grande do Sul no tabuleiro político do Império?


Carlos Egert O Rio Grande do Sul foi mais que uma província de fronteira: foi um verdadeiro laboratório de tensões entre centro e periferia. Ali, as experiências de federalismo embrionário, de insurreição e de fidelidade à Coroa conviveram em equilíbrio instável. A Guerra dos Farrapos, embora marcada por retórica separatista, resultou em uma reintegração negociada, que ilustra a habilidade do Império em absorver e neutralizar dissensos sem abdicar da unidade nacional.


Pergunta 2:

João VictorQuem são algumas figuras de grande estatura que a memória coletiva esqueceu?


Carlos EgertMuitos lembram de Bento Gonçalves como símbolo farrapo, mas poucos recordam Antônio de Souza Neto, proclamador da República Rio-Grandense, cuja vida terminou no Uruguai, imerso em exílio e melancolia. Também caiu em relativo esquecimento Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, não apenas como militar vitorioso, mas como pacificador: no sul, sua missão foi menos de conquista bélica e mais de recompor a ordem pelo pacto.


Outro vulto que merece ser lembrado é Visconde de Pelotas, José Antônio Correia da Câmara, que transitou entre a espada e a política, e cujo papel como parlamentar e administrador foi decisivo para inserir o Rio Grande na engrenagem imperial. São personagens que hoje repousam em compêndios pouco lidos, mas que deram corpo à elite dirigente do século XIX.


Pergunta 3:

João VictorHá curiosidades históricas desse período que o tempo apagou?


Carlos EgertSim, várias. Poucos sabem, por exemplo, que durante a Guerra dos Farrapos houve a circulação de moedas próprias — uma ousadia simbólica que refletia a ânsia de soberania local. Outro detalhe curioso é que, mesmo em meio ao conflito, os farrapos nunca romperam de todo com a monarquia: em correspondências privadas, há sempre um fio de expectativa de negociação, quase uma súplica velada para que o centro reconhecesse a dignidade provincial.


Há ainda a figura esquecida de Dona Antônia Alves Pereira, conhecida como “Heroína Farrapa”, que combateu travestida em trajes masculinos e depois desapareceu das narrativas oficiais, silenciada pela historiografia patriarcal.


Pergunta 4:

João VictorE quanto a figuras monárquicas de destaque ligadas ao Rio Grande do Sul, como o Barão de Cruz Alta?


Carlos EgertO Barão de Cruz Alta, José Gomes Portinho, é exemplo de lealdade ao trono e ao mesmo tempo de protagonismo regional. Atuou como articulador político e militar em defesa da ordem imperial, mas raramente ocupa espaço no imaginário popular. Outro personagem essencial é o Conde de Porto Alegre, Manuel Marques de Sousa, veterano da Guerra da Cisplatina e comandante na Guerra do Paraguai, cuja vida inteira foi dedicada a conciliar espada e lealdade dinástica.


Já o Marquês de Herval, Manuel Luís Osório, talvez seja mais lembrado por sua bravura militar, mas menos pela sua habilidade como construtor de pontes políticas entre o Império e os líderes regionais gaúchos. Esses três vultos, cada qual à sua maneira, mostram que o Rio Grande foi celeiro de monarquistas convictos, capazes de sustentar o projeto imperial sem perder suas raízes provinciais.


Pergunta 5:

João VictorO que esse legado nos ensina sobre o Império?


Carlos EgertEnsina que o Império não se sustentou apenas pela força do trono ou do Exército, mas por uma contínua engenharia de pactos, conciliações e símbolos. O Rio Grande do Sul, ao mesmo tempo rebelde e leal, foi um microcosmo da capacidade imperial de domesticar a fragmentação. E as figuras que dele emergiram — heróis militares, políticos de envergadura, personagens femininas esquecidas — mostram que a história é mais rica do que o mito e que ainda há tesouros escondidos em arquivos e memórias regionais.


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