top of page

PATRIMÔNIO HISTÓRICO | Governo Lula autoriza a devolução do canhão “El Cristiano”, capturado pelo Brasil na Guerra do Paraguai

19 de ago.
2 min de leitura
Foto do canhão El Cristiano.


O governo brasileiro decidiu devolver ao Paraguai o canhão El Cristiano, um dos principais troféus da Guerra do Paraguai (1864–1870), após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. A medida foi tomada depois de declarações de Lula sobre o conflito, que provocaram reação imediata do governo paraguaio e renovaram o pedido formal de restituição da peça, hoje preservada no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

O El Cristiano, um obuseiro de 12 toneladas forjado com bronze de sinos de igrejas paraguaias (por isso seu nome), é considerado um símbolo da resistência do país vizinho. Sua devolução é vista pelo Paraguai como gesto de reconciliação e fechamento das “feridas históricas” do conflito. Para o Brasil, porém, a decisão envolve questões patrimoniais — o canhão é tombado pelo Iphan, exigindo destombamento antes da transferência — e também repercussões políticas e históricas, já que o artefato está no país desde 1870 e integra a memória oficial da vitória brasileira na guerra.

A devolução reacende o debate sobre o impacto simbólico de medida uma medida como essa. Cidadãos críticos afirmam que a entrega do canhão pode representar desonra à memória dos combatentes brasileiros, que lutaram e morreram no conflito, e que o artefato constitui parte legítima do espólio de guerra preservado há mais de um século. A decisão também abre espaço para um debate mais amplo: outros artefatos e documentos tomados como troféus de guerra poderão ser reivindicados pelo Paraguai? Essa possibilidade já foi explicitada pelo próprio governo paraguaio, que, além do El Cristiano, pediu a devolução de outros canhões, como o “Presidente López”, e de troféus de guerra do século XIX.

A devolução do canhão, portanto, pode estabelecer um precedente diplomático que incentive novas solicitações, reacendendo discussões sobre patrimônio histórico, reparação simbólica e soberania cultural, abrindo discussões sobre quem tem o direito de decidir onde deve estar um patrimônio histórico – o partido que está governando, a jurisdição do tombamento ou a própria vontade da sociedade civil?

E você leitor, o que acha? O El Cristiano deveria voltar para o Paraguai ou permanecer no Brasil como parte da nossa história?

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page